Um caminhão estoura a cancela do pedágio sem parar para pagar a tarifa. Colado em sua traseira, um segundo veículo aproveita a passagem. Outros motoristas são mais cuidadosos —freiam perto da cancela, depois levantam-na e, aí sim, seguem viagem. Também sem pagar.

A evasão de pedágios, prática que vinha crescendo, em especial nas cabines de pagamento eletrônico, passou a ser coibida sistematicamente após a publicação da resolução 471 do Contran (Conselho Nacional de Trânsito). A norma regulamentou a fiscalização de rodovias por videomonitoramento.

Policiais rodoviários passaram a atuar nos Centros de Controle de Operações das concessionárias com um bloco de multas em mãos. Resultado: o total de multas explodiu em apenas um ano. Segundo o DER (Departamento de Estradas de Rodagem), as autuações em São Paulo saltaram de 7.145, em 2014, para 86.982, em 2015 —média de 238 por dia.

A infração é grave e gera multa de R$ 127,69, além de cinco pontos na carteira de habilitação, segundo o Código de Trânsito Brasileiro.

Para tentar driblar a fiscalização por câmeras nos pedágios, motoristas passaram a adotar até dispositivos hidráulicos –que, perto da cabine, "deitam" as placas dos veículos para evitar que sejam registradas. Outros usam métodos mais simples, como cordas para baixar as placas ou fita adesiva para encobri-las total ou parcialmente.

Nem sempre funciona: 14 motoristas foram presos por estelionato só na área de concessão da Intervias, que atua na região centro-norte do Estado, após tentarem burlar o sistema cobrindo as placas. Em três concessionárias consultadas pela Folha, os caminhões, que pagam pedágio mais alto, representam sete em cada dez evasões.

A ORIGEM

O projeto-piloto de fiscalização foi implantado em meados de 2014 na Intervias, em Araras (a 168 km de São Paulo). "A maioria dos que evadem o fazem pela pista do sistema eletrônico, acelerados, e estava tendo muitos acidentes, inclusive com mortes", diz o capitão Marcelo Estevão de Oliveira, comandante da Polícia Rodoviária de Limeira que atuou na iniciativa.

Segundo a Intervias, o total de infrações mensais, que era de 5.956 em agosto de 2014, quando o sistema foi implantado, caiu 42% e chegou a 3.432 um ano depois. De Araras, o projeto foi ampliado para outras concessionárias que atuam no Estado.

Segundo Luciano Louzane, diretor-superintendente da empresa, até a resolução do Contran não havia uma ação específica contra o problema.