O Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou nesta segunda-feira, por unanimidade, uma resolução para supervisionar o fim do conflito na Colômbia, atendendo a um pedido do governo desse país sul-americano e da guerrilha das Farc.

Aprovado pelos 15 membros do máximo órgão decisório da ONU, reunido em Nova York, o texto estabelece, entre outros pontos, o envio de uma "missão política" durante um ano para participar de um "mecanismo tripartite" para "vigiar e verificar o cessar-fogo e o fim bilateral e definitivo das hostilidades".

A resolução foi aprovada pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança (Reino Unido, França, Estados Unidos, China e Rússia) e pelos dez não permanentes, entre eles Uruguai - que exerce a presidência da entidade neste momento -, Espanha e Venezuela.

"Esta decisão do Conselho é uma manifestação de seu compromisso para o acerto pacífico de controvérsias. Sua vontade de trabalhar com a Colômbia neste tema é fundamental para o sucesso desse processo", disse a chanceler María Holguín, presente no recinto durante a sessão.

"Hoje é um dia muito importante para a Colômbia. Vemos a luz que a cada dia se aproxima mais", acrescentou Holguín, em coletiva de imprensa posterior, referindo-se às negociações de paz com a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) iniciadas em 2012, em Havana, cujo acordo final poderá ser assinado no fim de março.

O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, comemorou a adoção da resolução.

"A decisão tomada pelo Conselho de Segurança significa que, a partir de agora, já não estamos sozinhos, mas de mãos dadas com a ONU, com o mundo inteiro, para o fim desta guerra", afirmou Santos.

Liderada por um representante especial do secretário-geral da organização, Ban Ki-moon, a missão da ONU também terá entre suas tarefas supervisionar a "entrega de armas".

"A missão será política, integrada por observadores internacionais desarmados, que se encarregará de vigiar e verificar a deposição das armas e fará parte do mecanismo tripartite", diz o texto.

Pedido das duas partes

A ONU foi informada oficialmente do pedido das duas partes de uma carta enviada pelo presidente Juan Manuel Santos à presidência do Conselho de Segurança e à secretaria-geral, acompanhada de um comunicado conjunto assinado pelo governo e pelos rebeldes das Farc em Havana.

Agora, a assessoria de Ban deve preparar recomendações detalhadas "com relação ao tamanho e aos aspectos operacionais da missão", que será integrada, a princípio, por especialistas dos Estados-membros da Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac).

Segundo fontes diplomáticas, assim que o cessar-fogo bilateral for assinado formalmente, será adotada uma segunda resolução sobre a dispersão da missão.

"A montagem será iniciada imediatamente tanto aqui quanto no terreno", explicou Holguín.

O chanceler uruguaio e presidente em exercício do Conselho de Segurança, Rodolfo Nin Noboa, manifestou sua "grande satisfação" e saudou a Colômbia por "este passo fundamental".

"Resta o último esforço para que, no próximo 23 de março, o acordo seja assinado", acrescentou.

"É um momento positivo. Passou muito tempo sem que um país viesse ao Conselho de Segurança por vontade própria e tenha uma autorização da ONU sobre uma parte importante de um acordo de paz", avaliou o embaixador britânico no órgão, Matthew Rycroft, antes da votação.

Segundo Holguín, esta foi a 14ª ocasião em 70 anos de existência da ONU em que uma resolução é apresentada e aprovada por todos os membros do Conselho de Segurança.

A guerrilha das Farc - com sete mil combatentes - e o governo Santos negociam desde 2012 em Havana um fim para o conflito armado, iniciado nos anos 1960. Em mais de 50 anos, foram mais de 220 mil mortos e mais de seis milhões de desaparecidos, segundo dados oficiais.