Ao menos 50 mil norte-coreanos são enviados para trabalhar fora do país, especialmente na Rússia e na China, em condições que equivalem a trabalhos forçados, advertiu nesta quarta-feira (28) um especialista das Nações Unidas.

Segundo o relator da ONU para os direitos humanos na Coreia do Norte, Marzuki Darusman, Pyongyang está incrementando a exportação de trabalhadores para captar divisas no exterior.

Darusman detalhou a situação dos norte-coreanos que trabalham fora do país em seu relatório anual na Assembleia Geral, que este ano voltará a adotar uma resolução condenando a situação dos direitos no país asiático.

“Os nacionais da RPDC (República Popular da Coreia) têm sido enviados para trabalhar em várias partes do mundo, onde atuam sob condições que equivalem a trabalhos forçados…”, advertiu Darusman em entrevista coletiva.

Ao chamar a atenção da ONU sobre os trabalhadores que saem da Coreia do Norte, Darusman afirmou que as empresas que os contratam “se tornam cúmplices de um sistema de trabalho forçado inaceitável”.

Segundo o especialista, os trabalhadores são utilizados especialmente em construção, mineração, indústria têxtil e exploração florestal, tendo seus contratos negociados diretamente por Pyongyang.

A maioria está na Rússia e na China, mas outros 15 países – incluindo Argélia, Angola, Kuwait e Polônia – recebem estes trabalhadores.

Uma construtora do Qatar devolveu 90 norte-coreanos este ano, que faziam uma jornada de mais de 12 horas e não eram alimentados o suficiente.

Um destes trabalhadores morreu devido a maus tratos, segundo o relatório que será discutido na Assembleia Geral esta semana.

Darusman avaliou que, no geral, não houve progresso na situação dos direitos humanos na Coreia do Norte, e citou temas como a situação nos campos de detenção, pedindo que o Conselho de Segurança leve o país à Corte Penal Internacional por crimes contra a humanidade.